sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Carta Aberta ao Governador Anastasia e ao Senador Aécio Neves

Excelentíssimo Srs. Governador e Senador 
 Meu nome é Ninon Morato, 44 anos, tenho DPOC, deficiência de Alfa 1 a 11 anos diagnosticada. Estou em tratamento no Hospital das Clínicas em Belo Horizonte na fila a espera por um transplante pulmonar. Assim como eu, outras tantas pessoas passam pela mesma aflição vendo os dias passarem, amigos morrendo e as esperanças diminuindo cada vez mais. O último Transplante Pulmonar foi realizado a quase um ano e nesse interim 5 óbitos já aconteceram. Através dessa, venho pedir a sensibilidade dos Srs. e uma maior atenção as pessoas que tanto necessitam de uma ação urgente, não podemos ficar a espera, pois o tempo urge e nosso estado de saúde se agrava a cada dia. Dependemos de oxigênio fornecido pela Prefeitura para nos locomover a fisioterapia, consultas, exames. E o fornecimento desse oxigênio pode ser reduzido a metade segundo informações de funcionários da própria Prefeitura que agendam esse fornecimento. Como faremos, deitamos e simplesmente nos entregamos ao próximo óbito nessa fila de morte? A duas semanas obtivemos uma reunião com o Secretário de Saúde Antônio Jorge de Souza Marques na busca do bem que a legislação nos concede, o Tratamento Fora de Domicílio (TFD) já que não se faz presente a infraestrutura eficaz e necessária para que sejam feitas esse tipo de cirurgia que tanto precisamos. Estamos ansiosos no aguardo por uma resposta. Enquanto isso, vamos tentando mobilizar as pessoas para a cultura de doação através da mídia, internet e até mesmo passeatas como foi realizada a “Caminhantes” no Parque Municipal no dia 22 de setembro último. Excelentíssimos Srs. somos mineiros e nos orgulhamos muito dessa terra de tanta tradição e história, para nós, seria primordial que nosso estado fosse campeão de cirurgias desse porte como os são o Rio Grande do Sul e São Paulo, assim estaríamos sendo tratados e curados em nosso domicílio, junto ao carinho de nossos familiares e amigos. Mas tenho certeza de que, como grandes estadistas que são, essa batalha também se tornará vossas e um dia nos veremos amenizados tanto sofrimento. Certos da especial atenção dos Srs. nós membros da fila do Transplante Pulmonar agradecemos.

 Ninon Morato e amigos do grupo da espera. 

 Belo Horizonte, 27 de setembro de 2012

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Fila de espera por órgão cai 50% em cinco anos


Se o ritmo de doações e cirurgias for mantido, Minas pode fechar 2012 com um recorde histórico de transplantes concretizados Rejeição familiar no Estado é a menor do Brasil, índice que ajuda a explicar melhor desempenho.


O Dia Mundial da Doação de
Órgãos, amanhã, será comemorado
de maneira especial
neste ano por 1.612 mineiros.
Esse é o total de pacientes
que passaram por transplantes
no Estado desde janeiro
e, assim, ganharam a
chance de recomeçar suas
vidas com muito mais saúde
e esperança. E o aumento
das cirurgias também renova
a confiança de quem ainda
sofre com a espera e os
dolorosos tratamentos: nos
últimos cinco anos, essa fila
foi reduzida pela metade.
Um dos fatores que melhor
ajuda a explicar o bom
desempenho é a queda na
rejeição à doação de múltiplos
órgãos – possível apenas
em casos de morte encefálica.
Segundo a ABTO (Associação
Brasileira de Transplante
de Órgãos), os mineiros
são os que mais permitem
as doações no Brasil.
A recusa familiar, porém,
ainda é um dos maiores desafios.
No primeiro semestre,
28% das famílias mineiras
se recusaram a doar os
órgãos do ente falecido – a
média nacional é de 63%.
“As pessoas têm que conversar
mais em casa, quebrar
esse tabu”, avalia Rose
Mary Guirado, 58, que perdeu
o filho num acidente,
em 2004. “Ele já tinha ditoque era doador. Mesmo assim,
muita gente criticou,
disseram que fui desumana
com ele. Hoje, as pessoas estão
mais esclarecidas”, diz a
bordadeira, que atua voluntariamente
na divulgação
do tema na região hospitalar
de Belo Horizonte.
A rejeição, conforme a
ABTO, é a principal explicação
para o “desperdício” no
Brasil. De janeiro a junho
deste ano, foram identificados
4.073 potenciais doadores
de órgãos e tecidos no
país, mas só 1.217 se tornaram
doadores efetivos.


Transplantes
Cirurgias em 2012
Córnea: 1.079
Rim: 406
Fígado: 81
Coração: 24
Rim/pâncreas: 20
Pâncreas: 2
Total: 1.612
Evolução por ano
2009: 2.057
2010: 2.115
2011: 2.192





cai a doação de orgãos em Minas Gerais

Meta ainda
distante

Apesar dos avanços, Minas
ainda é uma terra de
extremos. Enquanto a fila
por uma córnea está
praticamente zerada, a
longa espera por um fígado
ou um pulmão ainda
leva à morte precoce de
boa parte dos pacientes.
Em 2011, dois a cada
três fígados coletados
não puderam ser transplantados
por falta de
condições técnicas. “O
dado aponta para a necessidade
de uma estrutura
que favoreça o melhor
aproveitamento”,
admite o balanço oficial
do MG Transplantes.
Proporcionalmente,
Minas é o 11º entre os Estados,
com 12,7 doadores
efetivos por milhão da
população. A meta da ABTO
é que o país tenha 20
doadores pmp até 2017.
“Evoluímos, sim, mas
ainda não estamos nem
perto dos países referência”,
alerta Abraão Salomão,
diretor do Hospital
das Clínicas e ex-presidente
do Sistema Nacional
de Transplantes. CM

jornal METRO http://www.readmetro.com